sexta-feira, dezembro 14

Novas regras do rotativo do cartão de crédito já valem a partir de hoje

O consumidor brasileiro que não pode pagar a tarifa do cartão de crédito integralmente só poderá ficar no crédito rotativo por 30 dias. As novas regras do uso desse recurso financeiro já começam a valer a partir desta segunda-feira (3) em todo o País, e constam como uma das medidas da reforma microeconômica, anunciada pelo Governo Federal no fim do ano passado.
De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a medida tem o potenciar de diminuir pela metade, os gastos com juros em 12 meses, mas seu impacto só poderá ser mensurado nos próximos meses quando os consumidores e o comércio já estiverem trabalhando plenamente com as novas regras. O governo pretende também reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento.
Assim, sempre que o consumidor entrar com o crédito rotativo, depois de 30 dias o banco terá de oferecer ao cliente o parcelamento do saldo devedor. A  ele também fica a opção de, após esse prazo, fazer o pagamento à vista. Caso o consumidor não opte por nenhuma das alternativas, ficará inadimplente.
A orientação agora, como explica o economista Armando Avena, é que alguém que for comprar no cartão, a partir de agora, que compre com a expectativa de pagar dentro dos 30 dias. “Se você não pretende pagar a dívida total no final do mês, é melhor tomar um empréstimo pessoal, para só então fazer a compra”, recomenda.
A partir de agora o uso ideal do cartão de crédito é para pagamento com 30 dias. E a transformação disso em empréstimo só se não houver possibilidades de adiar a compra. A mudança, segundo Avena, deve começar a ser notada em pouco tempo, com os estabelecimentos comerciais parcelando cada vez menos em um grande número de parcelas, tal como 10x ou 12x, como é comum atualmente.
“De qualquer forma, a médio prazo, a tendência é de que os juros do cartão possam cair, mas nesse momento, eles continuam altos, e os empréstimos para quem não pagar no dia do vencimento também serão com juros mais altos, do que, por exemplo, do empréstimo pessoal”, explica Avena.
De acordo com o economista, isso colocará o Brasil no local que boa parte do mundo se encontra atualmente em relação ao uso do cartão de crédito. Ele explica que o recurso financeiro precisa ser usado como um meio de pagamento que lhe permite pagar pelo que comprou dentro de 40 dias, e não como instrumento de empréstimo.
Nesse contexto, caberá ao consumidor agora exigir um desconto expressivo pelas compras feitas à vista, já que, nesta forma de pagamento, deixará de incidir o percentual que os cartões cobram. Assim, ganham também, as lojas que oferecerem o melhor desconto.
Da mesma forma, quem não for pagar a fatura inteira do cartão precisa ter cautela, porque os bancos vão fazer o parcelamento, e nele, estará já incluído o juros. “
O consumidor tem que saber qual o montante de juros que foi cobrado quando a parcela do cartão for transformada em empréstimo”, explica o economista.
“Essa medida também vai reduzir a importância de ter cadastro, número de CPFs, garantias, e não há necessidade de ter esses cadastros todos. Os empréstimos da parcela não paga terão que estar garantidos pelo cadastro dos correntistas no banco que está financiando”, detalha Armando Avena.
REDUÇÃO DA DÍVIDA
Com base em dados mais recentes da Anefac, de fevereiro, a taxa média de 15,16% ao mês no crédito rotativo equivale a 444,03% ao ano. Ao fim de três meses, uma dívida de R$ 1 mil na fatura do cartão subiria para R$ 1.527,23. Ao fim de 12 meses, equivaleria a R$ 5.440,26.
Com a nova regra, pela qual a taxa mais alta – de 15,16% ao mês – incidirá nos primeiros 30 dias e a taxa de 8,3% ao mês incide nos meses restantes, a dívida aumenta para R$ 1.350,70 em três meses e para R$ 2.768,31 em 12 meses. A diferença chega a 11,6% em 90 dias e a 49,1% em um ano.

Fonte: Tribuna da Bahia

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