terça-feira, novembro 13

Bahia tem 1 milhão de jovens de 16 a 29 anos que nem estuda nem trabalha

Por opção ou não, um em cada três jovens baianos entre 16 e 29 anos de idade não estuda e nem trabalha, de acordo com o estudo Síntese de Indicadores Sociais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (15). Esse número, referente a 2016, representa cerca de 1 milhão de baianos (30,5% dos jovens), na condição de “nem-nem”, que é como são conhecidos os jovens que nem estudam, nem trabalham. 

Entre as pessoas de 18 a 24 anos, 33,7% dos baianos estão nessa condição, enquanto na faixa etária de 25 a 29 anos, são 33,9% fora da sala de aula ou do mercado de trabalho. As proporções superam a média nacional (30,1% e 25,8%, respectivamente) e, para os baianos entre 25 e 29 anos (33,9%), representa o quarto maior percentual de “nem-nem” entre os estados, abaixo apenas de Alagoas (37,5%), Pernambuco (36,9%) e Maranhão (36,3%).

Assim como ocorreu nacionalmente, a proporção dos “nem-nem” na Bahia cresceu a partir de 2014, com maior intensidade entre 2015 e 2016 – reflexo principalmente, segundo o IBGE, da saída de jovens de ocupações no mercado de trabalho.

Considerando-se aqueles de 16 a 29 anos de idade, na Bahia, a porcentagem dos que não estudavam nem trabalhavam se manteve relativamente estável entre 2012 (26,0%) e 2015 (25,5%). Em 2016, no entanto, ela passou aos 30,5% (1 milhão de pessoas). O aumento dos “nem-nem” no estado foi o quarto maior comparando-se 2012 com 2016 e o segundo maior do país entre 2015 e 2016, abaixo apenas que o verificado em Pernambuco.

Embora não exista um perfil por estado desses jovens (16 a 29 anos), segundo a análise preliminar do IBGE, os que têm menor nível de instrução, além dos pretos ou pardos e das mulheres, estão mais sujeitos à condição de “nem-nem”.
Dos cerca de 1 milhão de baianos de 16 a 29 anos sem trabalho ou estudo, em 2016, 36,4% (cerca de 371 mil) estavam procurando trabalho e, por isso, foram considerados desocupados. Já 63,5% dos que não trabalhavam nem estudavam (647 mil pessoas aproximadamente) não estavam sequer buscando uma ocupação, ou seja, foram considerados fora da força de trabalho.

Nacionalmente, as proporções não são muito diferentes: 38,4% dos “nem-nem”, em 2016, estavam procurando trabalho, e 61,6% estavam fora do mercado.

Motivação
De acordo com a pesquisa, o principal motivo para esses jovens não estudarem, trabalharem ou buscarem uma ocupação são diferentes entre homens e mulheres.

Entre os rapazes, a razão mais citada (44,4%) foi não haver uma ocupação na localidade, uma justificativa diretamente ligada a questões do mercado de trabalho em si. Já para elas, a justificativa mais citada (34,6%) foi ter de cuidar dos afazeres domésticos ou do cuidado com filhos ou outros parentes.

Bahia: 6ª maior informalidade
A Síntese de Indicadores Sociais também mostra que, na Bahia, mais da metade das 6,1 milhões de pessoas de 16 anos ou mais que estavam ocupadas (55,6% ou 3,4 milhões de baianos) estavam em trabalhos informais – sem carteira assinada ou atuando por conta própria, sem contribuir para a Previdência Social.

Embora a informalidade no mercado de trabalho baiano tenha diminuído em relação a 2012, quando atingia quase 60% dos trabalhadores (59,5% ou cerca de 3,7 milhões de pessoas), ela ainda era, em 2016, uma das mais elevadas do país.

No ano passado, a Bahia era o 6º estado com maior proporção de trabalhadores informais e estava acima da média nacional nesse indicador – no Brasil, os trabalhadores informais eram 38,8% do total em 2015.

 

Na Bahia, a informalidade no mercado de trabalho não apresentou desigualdades significativas, segundo o IBGE, entre homens (56,9% eram informais) e mulheres (53,8%) nem entre brancos (56,8%) e pretos ou pardos (55,3%), mas foi bastante diferenciada por faixa etária, sendo bem maior entre trabalhadores mais jovens e mais velhos.

A informalidade chegava a 71,9% dos trabalhadores baianos com 60 anos ou mais de idade (frente a uma média nacional de 54,5%) e a 61,5% daqueles que tinham entre 16 e 29 anos de idade (no Brasil, esse percentual foi de 41,6%). Para os jovens, essa informalidade cresceu sistematicamente a partir de 2013, quando atingiu 60,3% dos que trabalhavam.

Outros indicadores 
O estudo também mostra que, no ano passado, os trabalhadores informais ganhavam 52,1% menos que os trabalhadores formais no país (R$ 1.169 contra R$ 2.021). 

Essa diferença era ainda maior na Bahia, onde os informais (R$ 753) tinham rendimento 58,4% menor que os formais (R$ 1.287).

Tanto no Brasil quanto na Bahia, essa desigualdade causada pela informalidade atingia seu pico entre as mulheres. No estado, uma trabalhadora informal (R$ 559) ganhava 65,6% menos que uma trabalhadora formal (R$ 1.623); nacionalmente, a diferença era de -58,3%, ou seja, R$ 866 era o rendimento das mulheres em trabalhos informais, contra R$ 2.079 das formais.

O rendimento das mulheres em trabalhos informais na Bahia (R$ 559) era o segundo menor do país, acima apenas do registrado no Piauí (R$ 487).

Em 2016, quase metade dos baianos (47,3%) viviam com até 1/2 salário mínimo de rendimento domiciliar per capita. Em 2016, um em cada cinco baianos (21,7% da população ou 3,3 milhões de pessoas) viviam com rendimento domiciliar per capita até 1/4 do salário mínimo – o que equivalia a R$ 220 naquele ano. Quase metade da população do estado (47,3% ou cerca de 7,2 milhões de pessoas) tinha rendimento domiciliar per capita até 1/2 salário mínimo (ou R$ 440 em valores de 2016).

As proporções na Bahia são muito acima da média nacional (10,8% até 1/4 do salário mínimo e 29,9% até 1/2 salário mínimo) e entre as maiores do país.

Por outro lado, menos de 5% dos baianos (4,1% ou 625 mil pessoas) tiveram rendimento domiciliar per capita maior que 3 salários mínimos (acima de R$ 2.643 em 2016). Isso equivale a menos da metade da média nacional (9,3%).

Linha de pobreza
Adotando-se o padrão do Banco Mundial para linha de pobreza monetária em países como os da América Latina, de 5,5 dólares por dia em paridade de poder de compra (PPC), chegava-se, para a Bahia, a um valor limite de R$ 383 para o rendimento domiciliar per capita, abaixo do qual as pessoas seriam consideradas pobres. No estado, em 2016, 4 em cada 10 pessoas (42,5%) viviam abaixo dessa linha.

Foi o oitavo maior percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza entre os estados brasileiros, bem acima da média nacional (25,4%) e quase cinco vezes o valor encontrado em Santa Catarina (9,4%), onde estava o menor percentual.

Moradia inadequada
Conforme o IBGE, o fato de grande parte da população baiana não ter ou ter pouco acesso a recursos monetários, que permitem aceder a bens e serviços oferecidos para a compra, se reflete, por exemplo, na proporção de pessoas morando em casas com algum tipo de condição inadequada.

Na Bahia, pouco mais de um em cada 10 pessoas (11,4%) residia em domicílios com aos menos uma condição inadequada de moradia, sendo o adensamento excessivo (quando há mais de três moradores por dormitório) e a ausência de sanitário ou banheiro de uso exclusivo do domicílio os mais frequentes (realidade para 4,7% e 3,6% dos baianos, respectivamente).

No estado, em 2016, quase metade da população (47,1% dos baianos, ou 7,2 milhões de pessoas) vivia em domicílios sem acesso simultâneo aos três serviços de saneamento básico – abastecimento de água por rede geral, coleta direta ou indireta de lixo e esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial –, proporção maior que a média nacional (37,9%). Com informações do Correio da Bahia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *