quinta-feira, novembro 15

Em decisão democrática da rede municipal, professores escolhem unificar o livro didático que atende às unidades escolares

Imagem: Roberto Fonseca/SECOM

Pela primeira vez em Alagoinhas e partindo de uma decisão democrática de toda a rede municipal de ensino, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC), escolheu unificar os livros que atendem a estudantes das escolas municipais.

“No caso da escolha única, o aluno que está estudando na Escola Marco Maciel recebe uma coleção de livros e o aluno que está estudando em Alagoinhas IV vai receber a mesma coleção, então a gente não vai ter livros diferenciados, como a gente tinha antes, quando cada escola escolhia sua coleção independente”, explicou Keite Lima, coordenadora pedagógica da SEDUC.

A decisão, inédita no município, partiu dos próprios professores da rede municipal, que se reuniram para avaliar os materiais disponibilizados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

Para Vanilda Caldeira Santana, que trabalha há 20 anos na rede e atua hoje em 2 escolas de Riacho da Guia, a escolha é positiva. “Os nossos livros eram diferenciados. A gente trabalhava com livros integrados, sem muita escolha, o que tornava nosso trabalho bem difícil. A nossa opção por escolher os livros em rede unificada significa um ganho para a comunidade rural. Nossos alunos que estudavam lá, quando vinham para a sede, sentiam dificuldade porque os livros eram diferentes. Agora não. A gente teve a oportunidade de escolher esse livro que atenderá a todas as unidades”, pontuou.

Marivalda de Almeida, coordenadora dos anos iniciais do ciclo de aprendizagem Alagoinhas, concorda. “O primeiro benefício é o trabalho em rede. Sendo um trabalho em rede, a aprendizagem das crianças acreditamos que vai melhorar, porque se a criança estuda em uma escola e precisa de transferência, a outra escola vai dar continuidade ao conteúdo que ela já estava estudando. Além disso, é positivo para o processo de remanejamento de material na rede, porque o livro chega à rede de acordo com o censo do ano anterior. Se, em uma unidade escolar, chegar mais alunos este ano, por exemplo, a própria rede pode fazer o remanejamento do livro didático para que a criança não fique sem o seu livro. São dois pontos cruciais, que interferem diretamente tanto no processo de ensino quanto na aprendizagem”, enfatizou.

A Secretaria Municipal de Educação (SEDUC) informou que a opção de adotar uma editora que atenda à rede municipal de ensino foi dada pelo PNLD, que apresentou, na metodologia, 3 alternativas aos municípios: escolher uma coleção para todo o município, implementar uma coleção por escola ou estabelecer uma coleção por grupo de escolas.

Segundo a SEDUC, entretanto, esta foi a primeira vez que, em uma decisão consensual e democrática, a rede optou por unificar os livros didáticos. Após a escolha, a SEDUC enviou, à diretoria pedagógica, um barema para que os professores respeitassem critérios no momento de escolher a editora que atenderia Alagoinhas.

Dando continuidade ao processo, coordenadores e diretores pedagógicos das escolas se reuniram, na última terça-feira (21), no IFBaiano, para avaliar o material das editoras e chegar ao nome da editora. A escolhida pela rede foi a coleção Buriti, da Editora Moderna, que, a partir de 2019, deve atender a alunos do 1° ao 5° ano em todas as escolas municipais.

“Essa metodologia, de mandar barema, de escolher, de reunir, não foi o MEC que mandou. Nós fizemos porque a gente entende que a gente precisa trazer essa discussão para a rede. Não é uma escola, são dezenas de unidades, então eu preciso entender que a minha escolha implica no outro. Foram 3 reuniões realizadas para chegarmos até aqui”, ressaltou a coordenadora pedagógica Keite Lima.

A decisão, que se estenderá por 4 anos a partir de 2019, deve contemplar 64 unidades escolares do município.

“Houve um momento, acho que em 2009, em que se tentou fazer o que se está fazendo agora, mas não foi possível. Esse é o primeiro momento em que a gente está realmente escolhendo o livro unificado”, comentou Vanilda Santana.

A partir desta quinta-feira (23), as editoras certificadas pelo MEC, que vinham fazendo visitas às unidades escolares dos municípios, não podem mais se dirigir às escolas, e os gestores iniciam o processo de inserção de dados no sistema do Ministério da Educação com a escolha da coleção que atenderá à rede.

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