segunda-feira, dezembro 17

Ferramentas digitais como WhatsApp agravam violência doméstica

As mulheres vítimas de violência doméstica na França têm enfrentado uma outra fonte de angústia no cotidiano: a “ciberviolência” de seus companheiros e maridos. São cada vez mais numerosos os homens que espionam o telefone celular de suas parceiras, suas atividades nas redes sociais e seus e-mails a fim de intimidá-las, conforme revela um estudo divulgado nesta terça-feira (20) pelo Centro Hubertine Auclert, uma instituição que se dedica a estudos sobre a igualdade de gênero.

Com o fenômeno #MeToo, muitas francesas vítimas de violência física, de assédio moral e psicológico de seus cônjuges passaram a compartilhar suas experiências nas redes. Mas essa liberação da palavra passou a preocupar muitos agressores, que não querem saber de exposição. Para continuar a exercer o controle na relação e manter a mulher sujeita à dominação, muitos homens têm aumentado a pressão com o ciberbullying. O estudo revelou cinco tipos de ciberviolência doméstica.

De um grupo de 212 mulheres ouvidas, 73% disseram que foram vítimas de “cibercontrole”, que é a obrigação do cônjuge abusivo de poder entrar em contato com ela a qualquer momento, ler suas mensagens ou consultar suas ligações telefônicas. Sessenta e três por cento disseram ter sofrido “ciberassédio” ou “ciberbullying”, ou seja, receberam mensagens ofensivas e insultantes dos companheiros por SMS, WhatsApp ou correio eletrônico.

Vinte e nove por cento das entrevistadas tiveram a impressão de serem monitoradas à distância, geolocalizadas por seu cônjuge, sem o conhecimento delas ou não. Tutela financeira Um quarto das mulheres pesquisadas foram submetidas a uma forma de “ciberviolência econômica”, em que o cônjuge modifica as senhas de contas bancárias ou administrativas para “negar o acesso ou desviá-las para uso pessoal” e 10 % foram vítimas de “ciberviolência sexual”, caracterizada pela captura, ou mesmo a difusão, não consentida de imagens íntimas. Três quartos dessas vítimas relataram pelo menos dois desses tipos de violência. O Centro Hubertine Auclert ouviu ao todo 302 vítimas de violência de seus cônjuges, e 9 em cada 10 mulheres relatam ter experimentado pelo menos uma forma de ciberbullying doméstica.

A maioria dos ataques dessa natureza começou durante a vida a dois (87%). Na maioria das vezes, a ciberviolência faz parte de um mecanismo global de dominação, que também envolve a violência física ou psicológica. Para o agressor, é mais uma forma de manter o controle da situação. A maioria dos homens tem medo de ser gravado cometendo agressões. Sete em cada dez mulheres ouvidas na pesquisa relataram que seus cônjuges as proibiram de se comunicar com alguém.

A metade delas já teve o telefone confiscado pelos maridos ou companheiros. Pelo menos 20% das mulheres vítimas de violência conjugal disseram que seus parceiros instalaram aplicativos espiões em seus celulares para gravar suas comunicações.

As que procuraram ajuda em associações e frequentam grupos de conversa de pessoas na mesma situação costumam desligar seus aparelhos antes de chegar para não serem localizadas pelo GPS. Na internet, é muito fácil comprar um aplicativo espião, ferramenta que passou a fazer parte do arsenal de assédio dos agressores.

Marcio Ramos

Jornalista DRT 5202/BA

Conselheiro ABI

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