terça-feira, fevereiro 19

Forrozeiro Adelmário Coelho lança música em protesto contra abate de jumentos; ouça

Os recentes casos de maus-tratos a jumentos, com registros de centenas de mortes na Bahia, levaram o forrozeiro baiano Adelmário Coelho a lançar uma música de protesto (ouça abaixo). Ele é um dos que ficou chocado com a crueldade contra os animais.

O título da canção é bem direto: “Burro é quem mata jumento”. Além de protestar, o músico reverencia o animal considerado “sagrado” por muitos nordestinos e que já foi homenageado também pelo forrozeiro Luís Gonzaga em “O jumento é nosso irmão”.

Recém gravada, a música foi apresentada por Adelmário Coelho ao CORREIO nesta segunda-feira (4) e ainda não foi divulgada ao público. “Ela já estava engatilhada para ser lançada, aí resolvi fazer isto depois desse último caso de crueldade”, disse Adelmário.

O forrozeiro se refere ao flagrante de maus-tratos a jumentos em uma fazenda em Canudos, no sertão da Bahia, na quinta-feira passada. No local, autoridades ambientais e sanitárias encontraram mais 200 animais mortos e cerca de 800 desnutridos.


O forrozeiro destacou que não é um “radical” da defesa dos direitos dos animais, “mas uma coisa como essa tem de falar, pois se Luís Gonzaga estivesse vivo, seria uma voz marcante contra isso”.

A ideia da música, conta Adelmário, veio quando foram publicadas reportagens sobre os casos de maus-tratos em Itapetinga. A letra e parte da melodia foram criadas por um parceiro do forrozeiro, Júnior Vieira, que mora em Recife.

Para Adelmário, “a sociedade tem que lutar para que a decisão judicial possa proibir para sempre os abates”. O mérito da decisão ainda será julgado na Justiça Federal da Bahia – por enquanto, a decisão que proibiu os abates foi liminar (temporária).

Outra decisão, da Justiça Federal de São Paulo, proibiu os abates em todos os estados do Nordeste. Na Bahia e em São Paulo as proibições ocorreram após entidades de defesa dos direitos dos animais entrarem com ações na Justiça pedindo a proibição.

O governo da Bahia e a União, rés no processo, recorreram para que os abates sejam liberados. O mesmo fizeram frigoríficos autorizados, mesmo não sendo parte no processo. Eles defendem que não há crueldade com os jumentos.

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