segunda-feira, maio 25
Shadow

Cangalha do Vento, de Luiz Eudes, é um sopro de paz nesses tempos de agitação

Por Abimael Borges

Vivemos tempos estranhos e apressados neste emaranhado de carros, prédios, pistas e gente, que nos parece escapar à realidade da existência humana, porém no seu livro “Cangalha do Vento – contos que se entrelaçam”, o escritor Luiz Eudes lança a âncora que nos traz de volta às nossas origens enquanto seres do campo, da labuta na roça e dos sonhos de um mundo melhor.

Foto: Elaine Liberato

Cangalha do Vento é uma obra feita para nos trazer calma e nostalgia e nos fazer rememorar um passado lento, no qual a velocidade das coisas e a agitação do cotidiano não eram tão presentes e não nos afligiam. O progresso que lentamente foi chegando ao velho Junco e o transformou na cidade hoje chamada de Sátiro Dias, contrasta com a singeleza daquele Junco romântico e bucólico presente na narrativa.
O livro de Luiz Eudes é daqueles que inicia com a morte para ao fim festejar a beleza da vida. Arranca-nos do trágico e fatídico cotidiano e nos coloca na contemplação da existência. É uma historia de lutas bem travadas, vidas bem vividas e de um tempo em que a maior das preocupações humanas era a sobrevivência sem luxos ou excessos; histórias marcadas pela coragem de aceitar os dissabores de cabeça erguida.

Foto: Elaine Liberato

Embora seja uma obra de ficção, como lembra o autor ao final, não deixa de estar hidratada com a experiência do homem sertanejo, sempre carregada de dilemas e sentimentos e embebida em emoções que transcendem o tempo. Toda história permeada pelas xilogravuras de Samuel Costa, alimentando o imaginário do leitor e enchendo-a de simbolismos e significados.

O velho Junco, já eternizado nas obras memoráveis do imortal Antônio Torres, ganha com esta obra mais um presente que vai contribuir para eternizar a sua cultura, tradições e histórias, como um referencial sólido para as futuras gerações. Ler o “Cangalha do Vento – contos que se entrelaçam” é se entregar ao luxo de pausar o tempo para contemplar a existência humana.

Abimael Borges é cineasta, poeta, professor e advogado.

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