Shadow

A Saga de Luna – Por Luiz Eudes

Li a Busca de Luna de um só trago como os sertanejos bebem água nas barrancas dos tanques em manhãs ensolaradas.
A narrativa de Margarete Brito é densa, forte e tensa. Impactante de tal forma que prende a respiração e sufoca. Sufoca de verdade.
“Luna tirou os sapatos e observou os seus pés, o caminho que as veias faziam sob a pele morena o remeteram aos caminhos que aqueles pés já tinham feito”. Este trecho é como uma noite de trovoadas em que se fica esperando longamente pela calmaria. Arrancou de mim tremores inimagináveis, provocou tensão e despertou sentimentos profundos de angústia.
A saga contada por esta competente escritora fala das dores e dos amores, e sentimentos mais íntimos afloram ao virar da próxima página.
A saga veio com todas as nuances: amores, amizades, casamentos, traições, decepções e mortes, doenças e curas. Uma novela que prende a atenção do freguês. Vale o mergulho em sua leitura. É impactantemente incrível!
Há escuridão como em tempestades; há lampejos de clarões como raios; e a claridade como o acender das luzes de que tanto me falou um amigo, que não conseguiu atravessar o mar bravio, e só agora consegui entendê-lo, após a leitura deste romance.

De forma incrivelmente surpreendente a história toma um rumo totalmente díspare no segundo ato. A luz brilha em sua totalidade, como o sol após a chuva ao final da tarde.
Salve o amor de Luna e Flávio, que submerge como chama reacesa em fogueira junina, aquecendo noites frias de inverno do meu Junco.
Salve a literatura nacional! Salve Margarete Brito, esta escritora com pena forte que discorre com facilidade!

Eis uma saga porreta.

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