segunda-feira, setembro 28
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Autoridades da Bahia repudiam pronunciamento de Bolsonaro sobre o coronavírus

Assim como políticos e instituições de todo o país, autoridades da Bahia reagiram em tom crítico ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que contrariou a orientação de especialistas em saúde em relação ao coronavírus e pediu o fim do “confinamento em massa”.

O prefeito de Salvador, ACM Neto, e a União dos Municípios da Bahia repudiaram a fala do presidente da república, enquanto Fábio Villas-Boas, secretário de saúde do estado, se disse “estarrecido”.

Veja abaixo a repercussão na BA do pronunciamento:

ACM Neto, prefeito de Salvador (DEM-BA)

Prefeito ACM Neto diz que pronunciamento é "irresponsável" — Foto: Reprodução

Prefeito ACM Neto diz que pronunciamento é “irresponsável” — Foto: Reprodução

“Eu considero as declarações do presidente também irresponsável, porque até essa altura do campeonato, a gente precisa é união de todos, e o presidente quando trata o que nós estamos enfrentando como uma ‘gripezinha’, ele também, na minha opinião, está desconsiderando a dor e o sofrimento das famílias que já perderam seus entes, de pessoas que já morreram pelo coronavírus”.

“Ele está desrespeitando, na minha opinião, as pessoas que estão nesse momento enfermas, que estão reclusas, que estão em isolamento já acometidas pelo coronavírus. Não é justo que o presidente da república traga esse tipo de declaração, não é razoável que diante de um problema tão sério, tão crítico, a gente tenha o presidente minimizando e atenuando o que pode significar o sacrifício e a vida de milhares de brasileiros. E eu, com a responsabilidade que tenho como prefeito, mas também com o sentimento que tenho também como cidadão, como pai de família, eu não aceito e portanto repudio as declarações que o presidente deu no seu pronunciamento à nação na noite de ontem”.

Fábio Villas-Boas, secretário de saúde da Bahia

Secretário de saúde da Bahia repudia fala do presidente — Foto: Reprodução

Secretário de saúde da Bahia repudia fala do presidente — Foto: Reprodução

“Nós, secretários de saúde, assistimos ontem estarrecidos ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro desfazendo tudo que se construiu no combate ao coronavírus ao longo das últimas semanas no Brasil. Quero dizer que enquanto o SUS tiver sendo conduzido por técnicos, como do Ministério da Saúde, e as secretarias estaduais e municipais, enquanto tivermos lideranças como o governador Rui Costa, o Brasil estará protegido, mesmo que as lideranças maiores de Brasília estejam trabalhando pelo pior cenário”.

União dos Municípios da Bahia

“A União dos Municípios da Bahia (UPB) assistiu com grande preocupação ao pronunciamento do Presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira (24). Após esforços concentrados em ações locais de conscientização da população para manter o distanciamento social, fechar escolas, rodoviárias e estabelecimentos comerciais, os prefeitos foram descredibilizados em rede nacional pelo presidente da República, em um ato contraditório das orientações dadas pelo seu próprio governo, através do Ministério da Saúde”.

‘Aos prefeitos baianos, o pronunciamento do presidente passou a sensação de que o Brasil está desgovernado, sem uma liderança coerente e responsável, que respalde as decisões dos gestores locais nesse momento de crise. Deixa a certeza de que, ao seguir seus delírios de que trata-se de uma “gripezinha”, serão as lideranças municipais criminalizadas pelas mortes diante da total falta de estrutura para atender casos graves, como vêm sendo registrados em diversos países”.

“A União dos Municípios da Bahia (UPB) orienta que os prefeitos sigam tendo responsabilidade com seus munícipes, garantindo o direito fundamental à vida, implementando as medidas necessárias já orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Governo do Estado da Bahia, na contenção do vírus que deixa um rastro de morte por onde passa”.

Nelson Leal, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

“Estamos com um baixo nível de infectados pelo Covid-19 graças à ação do Governo do Estado, com o apoio dos deputados desta Assembleia que votaram, por unanimidade, nos dois decretos – estadual e municipal – pelo estado de calamidade pública. Portanto, esqueçam a fala de ontem, desproposital e incoerente, do Sr. Presidente da República, Jair Bolsonaro: continuem em casa, porque é a nossa chance de ganhar esta batalha.

O Presidente foi muito infeliz no seu pronunciamento, indo na contramão do que estão fazendo os EUA, a Europa, a China, a Índia, a Austrália. O que os governadores e prefeitos – inclusive o governador da Bahia, Rui Costa – estão fazendo é tentando salvar vidas. A economia vai sofrer grandes impactos, mas a hora agora é de tentar reduzir, ao máximo, o número dos que vão morrer com o Covid-19.

Depois de tudo que estamos assistindo no mundo, esperava-se que o Presidente nos enviasse uma mensagem de segurança e de proteção aos brasileiros. Ao contrário, ele jogou o país em um abismo maior do que o já vivemos, conseguindo a proeza de ser dissonante do seu próprio governo, do seu país e do mundo. Vamos ficar em casa, diminuir a curva do contágio e ter um amanhã de mais alegrias e menos tristeza”.

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