quinta-feira, outubro 1
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Relaxar isolamento na Bahia pode aumentar em até 50% as infecções por coronavírus

Um estudo feito pela Rede Covida, ligada à Fiocruz-BA, estima que, se o isolamento social na Bahia for flexibilizado para as pessoas que não apresentam sintomas de covid-19, o resultado pode ser desastroso. Se o governo estadual decidisse permitir que as pessoas assintomáticas pudessem voltar às ruas neste momento, a taxa de transmissão da doença seria aumentada em 50%, segundo os pesquisadores.

Esta previsão leva em conta um estudo publicado na revista Science, que revelou que 80% dos infectados pelo coronavírus são assintomáticos. Ou seja, pessoas contaminadas que não sentem as complicações da covid-19 podem estar indo às ruas acreditando que não têm a doença.

E esta taxa de assintomáticos é um dos motivos por que o isolamento tem sido recomendado como forma de diminuir a disseminação do vírus pelo mundo. Nessa terça-feira (28), o governador Rui Costa ampliou por mais 15 dias o decreto de suspensão das aulas na rede pública estadual e deixou claro que essa possibilidade de flexibilização está descartada agora.

Na projeção dos pesquisadores, se o relaxamento das medidas fosse feito a partir do dia 27 de abril, isso provocaria, já na primeira semana de maio, um aumento de 75% no total de casos acumulados no estado e 23% no número de óbitos. Atualmente, o estado tem mais de 2,6 mil casos confirmados e 100 mortes pela doença, sendo que 62 óbitos foram em Salvador. O impacto no crescimento de infecções a partir da flexibilidade geraria ainda um aumento de 58% no número de leitos clínicos e 68% nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Ou seja, os resultados apresentados indicam que a suspensão precoce das medidas de distanciamento social no estado pode levar a graves abalos, tanto nas necessidades de hospitalizações quanto no número de novos casos e, consequentemente, nas mortes. 

Doutora em Matemática pela Universidade do Porto e uma das responsáveis pelo boletim da Rede Covida, Juliane Oliveira relata que num modelo de relaxamento do distanciamento social pode-se pensar que as pessoas que realmente precisam ficar isoladas são aquelas que estão apresentando sintomas da doença ou são grupo de risco, mas não é bem assim. Quem está assintomático pode contribuir para a disseminação do vírus.

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