segunda-feira, outubro 26
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Luiz Eudes

Mário Quitana, o poeta da simplicidade

Mário Quitana, o poeta da simplicidade

Luiz Eudes, Últimas notícias
Poeta, tradutor e jornalista, Mario Quintana estreou na literatura em 1940 com o livro “A Rua dos Cataventos”. O poeta também deixou um amplo trabalho de tradução, com destaque para “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra. Mario Quintana concorreu por três vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou. Da vasta e linda obra deixa por Quintana, gosto especialmente do poema O Gato. Luiz Eudes é curador do Coletivo Literatura com Cachaça e autor de Noite de Festa, Tempo de Sonhos e Cangalha do Vento.
A viagem do desespero

A viagem do desespero

GERAL, Luiz Eudes
Para Jorge Amado Retirantes por léguas de estradas de pó e poeira. Caminhos sem fim, sem água e sem comida, sem sombras e sem regatos. É a saga e a luta. É a odisséia do sertanejo. É a viagem do desespero na longa estrada da esperança ou da agonia. Caminhos de ida e de volta. Estrada de vida e de morte.Rústica e seca, agreste e violenta, a caatinga se espalha. Por veredas do sertão árido e bravio crescem as árvores e os arbustos. Cobras e lagartos se arrastam nas areias quentes sob o sol escaldante das tardes de verão, entre garranchos de macambira, desviando-se por entre as duras pedras em busca de alguma sombra que possam aliviar tamanho sofrer. Sim, até mesmo as cobras também sentem as dores e os castigos da seca. Algumas espécies são venenosas: a cascavel e a malha-de-sapo, a j
O Quinze – Raquel de Queiroz

O Quinze – Raquel de Queiroz

Luiz Eudes, Últimas notícias
Foto: Gessica Ronise Em 1992 recebi da Raquel de Queiroz este exemplar devidamente autografado, que causou em mim emoção tal que o guardo com muito carinho. O Quinze é o primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, publicado em 1930. O título se refere à grande seca de 1915, narrado sob o olhar de uma professora que mora em Fortaleza e que, em suas férias, visita a fazenda da família. O romance faz parte do ciclo nordestino com algumas características do neorrealismo. O neorrealismo foi muito influenciado pela prosa russa, pelo marxismo e pelas teorias freudianas, além de resgatar alguns preceitos do naturalismo e do realismo. O interesse na situação social é marcante em Rachel de Queiroz, que usa a seca como ponto de partida para mostrar o sistema precário de vida no
Testemunho do projétil que matou Maiakovski

Testemunho do projétil que matou Maiakovski

Luiz Eudes
Fábio Bahia tem por hábito publicar comentários e resenhas críticas das obras que lê. Desde os períodos escolar e acadêmico produziu textos em prosa pelos quais sempre fora elogiado, com o tempo, resolvendo também aventurar-se em poesia, logrou certo êxito, teve alguns dos trabalhos premiados em concursos literários e publicados em sites, revistas e antologias no Brasil e na Espanha. Em 2014 publicou o livro de contos juvenis “Ferramentas dos deuses - Contos Fantásticos”, pela Ed. Mondrongo. Em 2016 seu primeiro livro de poemas “Testemunho do Projétil que Matou Maiakovski”, também pela Mondrongo. Esta obra poética é dividida entre os poemas de versos livres e poemas concretos, estes últimos ganharam maior notoriedade na obra legando certo reconhecimento ao autor como poeta concreti
Torto Arado – Itamar Vieira Junior

Torto Arado – Itamar Vieira Junior

Luiz Eudes
O embasamento da história do romance Torto Arado surge a partir da descoberta de uma mala escondida sob a cama da avó e todo o mistério que ela esconde será uma espécie de antes e depois nas vidas de Belonísia e Bibiana. Um acidente com faca deixará muda uma das irmãs e esse fato será crucial em seus caminhos e seus modos de enfrentar as altos e baixos comuns daí em diante. O seu autor, Itamar Vieira Junior, nasceu em Salvador, Bahia, é autor de “Dias” (Caramurê, 2012), vencedor do XI Prêmio Arte e Cultura (Literatura – 2012), e do livro “A oração do carrasco” (Mondrongo, 2017), finalista do Prêmio Jabuti 2018, vencedor do Prêmio Humberto de Campos, da União Brasileira de Escritores (seção RJ) biênio 2016 – 2017, e um dos vencedores do Prêmio Bunkyo de Literatura 2018 concedido pel
Entre amores e ilusões

Entre amores e ilusões

Destaque, Luiz Eudes
E a brisa levou para bem distante as nuvens e o sol voltou a fulgurar sob um céu agora cintilante. Assim me sinto ao findar a leitura do “Entre Amores e Ilusões”, do celebrado Abimael Borges, que me deixou imensamente impactado. Sua poesia é muito forte e densa e o livro está pronto para vencer qualquer concurso e figurar no top 10 da poesia brasileira.De verdade, é poesia como se deve fazer poesia. Sem regras sequenciais, palavras soltas que se encontram e formam uma linda canção – de amor, de resgate, de ninar… ao gosto do freguês.“Peguem uma caixa de palavras e a despeje sobre a mesa…” Isso é genial! Muito ao modo da simplicidade de Mário Quintana, o nosso autor consegue percorrer caminhos variáveis e com maestria.Bem diz ele que “de oração em oração fazei a prosa, em cada letr